Saúde

Toxoplasmose. Acabe de vez com os mitos: o gato não é um bicho papão

Se não é imune a esta doença, saiba que raramente a apanha diretamente de um felino. E veja como evitá-la.
O seu amigo não é um perigo.

A toxoplasmose pode ser um bicho-de-sete-cabeças para quem não é imune, especialmente para as grávidas. Mas não tem de ser assim. Basta ter os devidos cuidados — e lavar bem as mãos ao manusear as fezes dos gatos é importante — para que tudo corra bem. Mais facilmente um descuido com uma alface mal lavada ou carne mal passada pode gerar problemas do que ter um gato em casa.

Mas, antes de mais, o que é a toxoplasmose? A doença é contraída através de um parasita chamado toxoplasma gondii, que infeta a maioria dos animais de sangue quente, incluindo os humanos. Por isso, explica à PiT a médica veterinária Joana Valente, “o termo ‘não imune à toxoplasmose’ significa que não se possui anticorpos contra a doença”.

“Quando se contrai toxoplasmose durante a gestação, essa é uma situação grave para o feto. Por esta razão, é um receio muito comum durante a gravidez, principalmente nas grávidas não imunes”, sublinha a médica do Hospital Alma Veterinária, do Cacém, arredores de Lisboa.

Entre os animais de companhia, os gatos são muitas vezes vistos como o “bicho papão” quando surge o diagnóstico, num humano, de não imunidade à doença. Mas essa é uma crença errada.

“A questão da toxoplasmose é muito relacionada com os gatos porque eles são os únicos animais que, ao serem infetados, libertam oocistos pela fezes, contaminando o ambiente. Ou seja, ele é o perpetuador do ciclo. No entanto, raramente apanhamos toxoplasmose diretamente do gato, mas sim de alimentos, águas e terras contaminadas”, salienta Joana Valente.

A infeção por toxoplasmose nos gatos

E como é que os gatos se infetam? “Ao comerem carne crua de animais infetados (vaca, porco, etc.), a caçarem presas infetadas com quistos de bradizoítos (pássaros, ratos) ou a beberem água contaminada com oocistos esporulados infetantes”, aponta a médica veterinária.

“Também podem contrair a doença através da sua mãe, durante a gestação ou a amamentação, se a gata for exposta pela primeira vez à toxoplasmose. Outra via possível de contágio é a das transfusões sanguíneas de sangue contaminado com taquizoítos”.

Atendendo a que a toxoplasmose pode ser transmitida aos humanos, sendo por isso uma zoonose — termo que designa as doenças e infeções transmitidas ao Homem através dos animais —, muitas pessoas ficam preocupadas quando fazem testes e descobrem que não são imunes e têm gatos em casa. Mas pode ficar tranquilo. Não descarte o seu animal.

Por que não é um risco conviver com gatos?

Joana Valente desmistifica a ideia de que quem não é imune à toxoplasmose não deve ter gatos nem contactar com eles. “A título pessoal, sempre tive gatos adotados da rua e com acesso ao exterior, além de que me dedico exclusivamente a atender pacientes felinos, e não sou imune à toxoplasmose. Passei a gravidez a contactar da mesma maneira com os meus gatos e com os meus pacientes felinos, sem receio de infetar-me”, diz a médica veterinária para sossegar os mais receosos.

E por que é que não há que ter medo? Porque “um gato só elimina oocistos de toxoplasmose uma única vez na vida, após ser contaminado, a não ser que receba algum tratamento imunossupressor”, explica a profissional da Anicura Alma Veterinária.

“Os oocistos libertados na fase de eliminação não são infetantes, precisam de esporular — e isso acontece um a cinco dias após o gato fazer as fezes”, diz a médica, acrescentando que a libertação destes oocistos nas fezes do gato se mantém apenas durante uma a três semanas.

Concluindo, “os estudos revelam-nos que a presença de um gato não supõe um aumento do risco de contrair toxoplasmose”.

Como é que as pessoas se infetam?

Há várias situações e cenários que podem ser propícios à infeção nos humanos. E quais são? Joana Valente enumera-as: comer carne pouco cozinhada ou crua (vaca, porco, etc.); manipular carne crua; comer verduras frescas contaminadas não lavadas adequadamente; durante a prática de jardinagem ou em parque infantis com areias contaminadas (o contágio implica levar as mãos à boca sem lavar); ou ingerindo restos de fezes, com pelo menos mais de 24 horas desde a defecação, de gatos infetados que estejam a eliminar oocistos.

Então, como prevenir a toxoplasmose em pessoas? Há alguns cuidados a ter: “comer carne muito bem cozinhada; usar luvas aquando da jardinagem ou manipulação de carnes cruas (também poderá, em alternativa, lavar bem as mãos logo de seguida); lavar muito bem as verduras e frutas; e limpar a caixa de areia do gato diariamente com uma pá, lavando de seguida as mãos”, aconselha a médica.

Por isso, já sabe, e importa reter: mais facilmente contrai a doença por outra via do que através do contacto com um gato infetado.

Percorra a galeria para saber mais sobre a toxoplasmose.

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