Saúde

Vadio e Viana — os cães que animam os dias dos idosos de um centro comunitário

No lar de idosos da Gafanha do Carmo (Aveiro), os dois cães ajudam os mais velhos. A PiT acompanhou esta partilha de amor.
São grandes companheiros.

Já está amplamente comprovado que os cães são excelentes terapeutas — sendo uma grande ajuda nas depressões — e que também trazem muitos benefícios para a nossa saúde física, nomeadamente por passarmos a fazer mais exercício ao passearmos com eles. Além disso, nas crianças em idade escolar são uma ajuda redobrada pelo efeito calmante que têm.

São igualmente um recurso fundamental nas terapias assistidas por animais, melhoram grandemente a qualidade de vida dos mais idosos, contribuem para que os tutores tenham um coração mais saudável e ajudam a combater a perda de memória. Está também cientificamente provado que um cão de terapia faz toda a diferença nos serviços de urgência para ajudar a aliviar a dor, ansiedade e depressão.

Como se não bastasse, o companheirismo e lealdade destes patudos tornam os nossos dias mais plenos e felizes – e há muitas instituições portuguesas que começam a adotar cães precisamente por todos os benefícios para a nossa saúde física e mental.

Vadio, o primeiro cão do lar da Gafanha do Carmo

É o caso do Centro Comunitário da Gafanha do Carmo – instituição do município de Ílhavo (Aveiro), aberta desde outubro de 2010, que apoia idosos nas valências de lar, centro de dia e apoio domiciliário —, que tem não um mas dois cães que fazem diariamente as delícias de todos os funcionários e utentes.

As histórias de ambos são muito bonitas. Vadio foi o primeiro a chegar, há mais de dez anos. “Numa das nossas habituais caminhadas, ao passarmos junto à igreja da Gafanha do Carmo, um cão aproximou-se de nós. Todos lhe fizeram festinhas e ele nunca mais nos largou, acompanhou-nos livremente no resto do percurso até ao lar, de onde nunca mais saiu”, conta o centro comunitário no álbum dedicado a este pequenote.

E foi assim que o Vadio passou a morar, desde janeiro de 2012, neste centro. “A presença deste animal na nossa instituição tem sido um sucesso. Além de ser um foco de afeto, vários estudos indicam que este tipo de convivência (cinoterapia) é uma mais-valia para a qualidade de vida da pessoa idosa e muito significativa na institucionalização da mesma”, sublinha o centro.

“Segundo vários estudos (…), os residentes dos lares onde há cães reduziram os níveis de depressão, confusão, ansiedade e fadiga. Para além disto tudo, o Vadio faz já parte da nossa família e é visto por todos como tal. Tivemos muita sorte em ele nos ter escolhido! Obrigado, Vadio”, remata a descrição do álbum.

À PiT, Liliane Magalhães, animadora do Centro Comunitário da Gafanha do Carmo, confirma isso mesmo. “Muitos utentes mais tímidos acabam por ter mais dificuldade com pessoas e através dos cães conseguem interagir mais e mostrar as suas emoções”, conta-nos.

E apesar de o Vadio adorar todos os utentes e participar em imensas brincadeiras com eles, há uma cama que é a sua preferida. “O Vadio dorme na cama da Dona Emília. Para onde ela for, ele vai atrás. Mesmo que mude de quarto, está sempre aos pés dela”, diz Liliane Magalhães.

A chegada da patuda Viana ao centro comunitário

Vadio não é o único patitas neste centro. Pela experiência tão positiva com este cão, em abril de 2015 o centro comunitário candidatou-se a ser família de acolhimento de um cão guia reformado. E foi assim que a Viana entrou nas suas vidas.

“Além de querermos dar outra oportunidade a um cão que, de alguma forma, tivesse perdido alguma das suas capacidades, achávamos que melhor que ter um cão (o Vadio) a fazer milagres todos os dias, o ideal era ter dois”, contou o centro numa publicação feita em junho de 2019, quando comemorou quatro anos da nova companheira.

Dois meses depois da candidatura, chegava a boa notícia. “Foi uma ansiosa espera até ao dia em que finalmente recebemos o telefonema da Escola de Cães-guia para Cegos.

Foi no dia 4 de Junho de 2015 que o reinado de Vadio passou a ter uma rainha, onde tudo, ou quase tudo, se modificou e onde o amor incondicional que só os cães podem entregar se multiplicou. Obrigada, Viana!”, lê-se na publicação.

Viana adora a animadora do centro. “Anda mais atrás de mim durante o dia, e à noite atrás dos funcionários que estão de serviço”, conta Liliane Magalhães à PiT. Em 2017, o centro preparou uma surpresa e a anterior família de Viana fez uma visita a Viana, um reencontro que a Retriever do Labrador adorou.

E tanto Vadio como Viana sabem muito bem onde ir para receberem umas guloseimas: “Eles sabem que utentes é que lhes dão comida”, diz a animadora com uma gargalhada.

Para os utentes, estes dois companheiros de quatro patas são especiais. “São dois amigos fiéis. E a Viana é muito amorosa”, diz Lucinda Jesus, de 82 anos, à PiT.

Já Maria Graciosa Ribau, de 70 anos, não se imagina sem a presença deles. “O Vadio e a Viana são muito importantes. “Gosto de lhes dar miminhos e de falar com eles”, conta-nos.

Opinião idêntica tem João Fernando Oliveira. “Os nossos cães fazem-nos companhia. Quando não sabemos onde eles estão, ficamos logo preocupados, porque os consideramos nossos amigos”, salienta este utente de 66 anos.

Quando há passeios, os dois cães acompanham sempre o grupo. “Vêm sempre connosco”, sublinha Liliane. E participam igualmente em todo o tipo de atividades organizadas pelo centro. Que são muitas – sendo um espaço cuja missão é espalhar alegria e que é sobejamente conhecido pela sua criatividade junto dos utentes, criando sessões fotográficas com cenários sempre muito divertidos e dando voz, com muita graça, aos ensinamentos da terceira idade.

Esses ensinamentos assumem as mais variadas formas. Tanto agarram em cartazes com mensagens no Dia Mundial da Doença de Alzheimer ou apresentam dicas sobre o que é a simples felicidade, sobre como ser feliz ou ainda sobre o que significa o amor (um vídeo emocionante de visualização altamente recomendada), como vão para a rua com cartazes, no dia de Natal, lembrando às pessoas que passam o que é mais importante na nossa vida.

E não é só. Também refrescam os pés em piscinas e descansam em areais improvisados – durante os períodos de confinamento, foi a forma de contornar a impossibilidade de irem à praia –, recriam cenas de filmes e de telenovelas, avisam para o mau tempo, e fazem festas de Halloween. A paródia ao popular vídeo “Wrecking Ball”, de Miley Cyrus, tem mais de 3,3 mil likes. Num outro vídeo, que apresenta uma versão de Conan Osíris, as partilhas superam as 10 mil. É com muito amor, animação alegria que se vive neste centro.

Percorra a galeria para ver fotos do Vadio, da Viana e dos utentes e deste centro muito especial, tido por muitos como um fenómeno, e que fica na Gafanha do Carmo.

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